Dia da Internet Segura - 2012
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Raitéqui - Miro, a TV open source.


Plataforma em software livre permite ao usuário montar sua própria grade de vídeos para assistir no computador
Sérgio Amadeu da Silveira



A digitalização das informações e dos bens simbólicos está gerando grandes impactos em nossa sociedade. Ela permite libertar os conteúdos dos seus suportes. Assim, o texto não está mais preso ao papel, o filme também está livre da fita ou do CD, o som pode ser colocado em um pen drive ou em um servidor de músicas para a web. Enfim, a digitalização permite integrar toda a produção simbólica da humanidade em uma rede aberta. Pierre Lévy chegou a dizer que estamos construindo um único hipertexto que representaria a inteligência coletiva da humanidade. A linguagem digital é a base para tudo poder se integrar com tudo, ou seja, para uma grande comunicabilidade. Até mesmo a mídia tradicional, o rádio e a TV, que já digitalizam os seus conteúdos, agora estão digitalizando as suas transmissões.

O avanço da digitalização atingiu uma fase que tem sido chamada de convergência digital. O que é isso? Mais do que a possibilidade de os conteúdos serem acessados por diversos tipos de aparelhos, a convergência digital permite que os grupos sociais que apostam na interatividade possam avançar suas práticas e ampliar os espaços para as suas idéias. Um desses grupos lançou o projeto Miro. É mais uma articulação de pessoas que defendem o livre compartilhamento do conhecimento e da cultura. Entre os criadores do Miro temos Cory Doctorow, blogueiro, jornalista e escritor de ficção científica, co-editor do blog Boing Boing, e um dos principais defensores do Creative Commons e da economia da pós-escassez.

Mas o que é o projeto Miro? É uma plataforma em software livre para assistir e programar uma grade de vídeos no computador. Miro é a TV digital open source (de código aberto). Criada pela Participatory Culture Foundation (algo como a Fundação da Cultura Participativa), Miro trabalha com a idéia de usar o RSS (Web syndication ou agregador e distribuidor de conteúdos digitais) e o suporte BitTorrent para buscar vídeos de alta definição que não podem ser vistos simplesmente pelo stream. A tecnologia RSS, escrita em XML, é muito usada em sites de notícias e blogs que são constantemente atualizados. Ela permite que os internautas cadastrem-se nos sites que possuem ‘feeds’ (fontes ou suprimento de) RSS. Assim, toda vez que uma mudança ocorrer no site ou uma nova matéria entrar na página, o internauta receberá o novo conteúdo. Isso permite que, sem ter que visitar dezenas de jornais, o internauta possa receber as novas matérias publicadas em todos eles, de modo automático.

Partindo dessa idéia, Miro permite que você assine os feeds RSS de diversas web TVs e canais de vídeos que existem na internet. Assim, as pessoas poderão montar sua própria programação de TV na web, eliminando intermediários e controladores de grade. Além disso, Miro permite às pessoas assistirem seus vídeos preferidos independente do formato do vídeo, Quicktime, WMV, MPEG, AVI, XVID, entre outros. Miro teve mais de 1 milhões de downloads, em 2006, e tudo indica que terá mais de 3 milhões, este ano. Os produtores de vídeo que querem ser conhecidos, que buscam mostrar seus trabalhos o mais amplamente possível, precisam dispor um feed RSS de vídeo em seus sites. Assim, os milhões de internautas que já estão usando a plataforma Miro poderão acessar rapidamente esses vídeos.


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Se prevalecerem os sistemas fechados de distribuição de conteúdo audiovisual, como o da gigante Comcast ou Joost, os criadores e produtores ficarão reféns dos seus esquemas de controle. Assim, os milhares de produtores independentes de vídeos, filmes e animações, estariam submetidos ao bloqueio de um ou dois grupos econômicos que possuem um modelo de negócio único. Em contraposição a isso, o vídeo RSS assegura aos criadores do audiovisual um caminho aberto para a distribuição de vídeos de alta definição. Independente do conteúdo, a Participatory Culture Foundation considera absolutamente fundamental que a produção de filmes, programas, documentários não acabe controlada pelos sistemas de distribuição proprietária dos oligopólios do entretenimento.

No site do Miro está escrito “Não deixe que a Microsoft ou a Comcast decidam quais videos você pode assistir”. A comunidade que desenvolve o Miro precisa de apoio. Eles dizem: “Miro é parte de uma luta para manter aberto o espaço para o vídeo online”. Que luta é essa? Dezenas de grandes corporações estão tentando aprisionar os criadores de vídeo e seus leitores em sistemas proprietários de distribuição. Para eles, tal modelo é uma forma inteligente de fazer dinheiro, uma vez que força os espectadores e criadores a utilizarem exclusivamente suas ferramentas. Mas esses sistemas também são uma ameaça direta à liberdade na internet. Para os criadores da Miro, se essas empresas, atuando como gatekeepers (porteiros digitais), passam a decidir o que as pessoas podem ou não podem ver, é a liberdade de expressão no ciberespaço que está ameaçada.

Para baixar Miro, acesse www.getmiro.com/download/#linux, para as distribuições Linux Ubuntu, Fedora, Debian e Gentoo. Também é possível instalá-lo em Mac OS X e até em Windows. É possível apoiar a comunidade Miro, e também ajudar a traduzir Miro e os seus sites e tutoriais do inglês. Como todo software livre, é fundamental o apoio da comunidade nos testes, pois a plataforma precisa ser avaliada em diferentes versões dos sistemas operacionais e máquinas. Os erros ou bugs encontrados e relatados ajudam a melhorar a plataforma. A maior parte dos códigos da plataforma Miro foi escrita em Python, mas existe a necessidade de desenvolvimentos específicos que permitam a ela trabalhar melhor em Firefox, Xine, explorar com mais eficiência o BitTorrent, etc. Os estudantes brasileiros de Computação e os programadores que querem participar da comunidade de software livre podem dar uma grande força para essa luta pela liberdade do audiovisual apoiando o desenvolvimento da plataforma Miro.


www.getmiro.com/

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