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Pontos de Cultura na programação


Equipes comunitárias cobrem eventos culturais e produzem narrativas audiovisuais com celular

A TV Brasil-Canal Integración, de acordo com seu coordenador geral, Adriano de Angelis, começou a desenvolver projetos voltados a uma maior aproximação da sociedade, por meio de novos modelos de produção. O propósito é permitir às comunidades interagir, interferir e atuar na programação, e, ao mesmo tempo, fomentar a capacidade de experimentação e a regionalização. Adriano cita, nesse sentido, duas ações em parceria com o Ministério da Cultura e com os Pontos de Cultura (ambientes de produção regional e independente, equipados pelo ministério com kits multimídia): o Mosaico e o Vídeo de Bolso.


Videos do programa Mosaico de Cultura
Popular, produzidos durante o Encontro
de Culturas Populares, realizado em
2006. O programa foi ao ar pelo NBR.
O projeto Mosaico envolve a cobertura audiovisual, por equipes dos Pontos, de seminários, encontros e outras atividades culturais. São montadas ilhas de edição durante os eventos, pilotadas por dez grupos de jovens que editam oito vídeos em cada programa, de três minutos, em média, com depoimentos dos participantes. O objetivo é montar, então, um mosaico de pontos-de-vista sobre o evento. Desde o final do ano passado, foram sete edições (três programas por edição), o equivalente a um acervo de 20 programas de meia hora.

O Vídeo de Bolso começou no Ponto de Cultura Vila Buarque, gerido pela ONG Ipso-Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos, em parceria com a Oboré, no centro de São Paulo. E, de acordo com Adriano, vai se espalhar para outros Pontos conveniados com o MinC. Os vídeos criados pelas comunidades, produzidos com celulares ou câmeras digitais amadoras, serão incorporados à programação do Canal Integración. “É uma janela para o cidadão ou cidadã fazer uma comunicação direta na TV”, diz o coordenador da TV Brasil.

Há cerca de dois meses, o canal recebeu os primeiros 40 microvídeos, que estão no ar em caráter experimental. Foram produzidos nas oficinas no Ponto de Cultura Vila Buarque. Segundo Carlos Seabra, diretor do Ipso, os vídeos podem ser de denúncia política; reciclagem de outros conteúdos — paródias, sátiras, edições em se trocam imagens e falas de lugares; fotos antigas escaneadas e remontadas; videocassetes caseiros digitalizados; depoimentos, etc.

As narrativas audiovisuais devem ter até um minuto, e menos que 5 Mb (para que possam ser enviadas do celular, por MSM, ou via Wi-Fi, bluetooth, ou publicadas na web). Só serão aceitos conteúdos licenciados em Creative Commons 2.5 (atribuição, livre para fins não-comerciais). A equipe do Ipso deu oficinas no Memorial da América Latina, também em Santo André (parceria com a prefeitura), e com o governo do Acre (para monitores de cinco telecentros).

Agora, novas oficinas serão preparadas, inclusive para editar online. Usa-se sistemas livres, preferíveis, ou da plataforma Windows. “A gente não se importa se a caneta é BIC ou Montblanc”, diz Seabra. A idéia é repassar a metodologia das oficinas, para que sejam replicadas em outros Pontos. O PdC Vila Buarque vai centralizar o recebimento, verificar se têm qualidade mínima, se é um vídeo de bolso mesmo (e não uma propaganda comercial), e inserir uma janela com informações como título, crédito do autor, etc.”


www.ipso.org.br
www.cultura.gov.br


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