Intercâmbio na programação
Dois projetos para compartilhar vídeos entre TVs universitárias, pela RNP.

A Mackenzie poderá ceder canal
de satélite para universidades
sem conexão RNP. As televisões universitárias estão construindo duas redes para compartilhamento de programação, utilizando o backbone de alta velocidade da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). A Rede de Intercâmbio de Televisão Universitária (Ritu) está sendo criada pela Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU); e a Rede Ifes-Instituições Federais de Ensino Superior é resultado de pesquisa coordenada pelo professor Carlos Rocha, da Comunicação, junto a outros departamentos da Universidade Federal do Paraná. Por que as ações não estão integradas? “Estou aguardando eles [a ABTU] me procurarem”, diz o professor da UFPR. “Estamos abertos a eles [à Rede Ifes]”, afirma o presidente da ABTU, Gabriel Priolli. Enquanto isso, cada um toca o seu projeto.
Ao todo, no país, são 52 canais universitários (um terço deles nas operadoras a cabo, dois terços na TV aberta), a maioria com dificuldades para montar suas programações. No final de maio, a equipe da Rede Ifes — “um grande menu de programas, em que cada diretor de programação de universidade tenha liberdade para escolher o que quer”, na definição de seu coordenador — , entregou à direção da Radiobrás cópia do projeto. “O que se espera é contar com a programação da Radiobrás no site do acervo”, afirma Carlos.
Paralelamente, a ABTU, que reúne 42 instituições (públicas e privadas), firmou, em 2005, um convênio para desenvolver o projeto Ritu com a RNP. Cada associado da Ritu digitaliza seus programas e os envia para os servidores da RNP, que também oferece o serviço de transmissão de vídeo sob demanda. Os arquivos ficam num site de gerenciamento, para download. “O sistema permite montar uma lista de programação e pode ser plugado ao transmissor da TV, com saída para rede de cabo ou antena”, explica Gabriel. As ferramentas do portal foram desenvolvidas pela UFPB, e a gestão dos conteúdos, entregue à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS).
A fase experimental deve ir até agosto, quando a rede promete entrar em operação plena, com todas as integrantes da ABTU, além de universidades federais não associadas à entidade. No piloto, estão a TV Unisinos, TV UFPB, o Canal Universitário de Belo Horizonte (com programas da Uni-BH e PUC-MG), a TV USP, a TV UFSC, a TV PUC Campinas, a TV Unicamp, a Unitevê-TV UFF (RJ) e a TV Mackenzie (SP). O investimento, feito pela RNP, é de R$ 200 mil. Poderão enviar e receber programas os associados da ABTU e universidade federais; outros canais universitários ou credenciados pela entidade terão acesso para download.
Carlos Rocha, da UFPR, também pesquisava, desde 2003, o intercâmbio digital de rádio e audiovisual para unversidades públicas. Do seu projeto, surgiu a Rede Ifes — um site para cadastramento e busca de programas, que serão transmitidos também pela RNP. O sistema de gerenciamento, da própria UFPR, deve entrar no ar este mês.
“Imagine um grande portal, na UFPR, onde universidades cadastradas postam informações sobre seus trabalhos. Quando o diretor de outra TV fizer uma busca (por nome, palavra-chave, tema, etc.), o sistema aponta o programa. Ao clicar para download, esse vídeo não vai estar na UFPR, mas no seu site de origem”, explica o professor. Entre as federais que apoiam a Rede Ifes, além da UFPR, Carlos cita UFMG, UFRS, UFRN, UNB, UFBA, UFMT, UFRJ, UFRR, UFRO, e dez estaduais, do Paraná e Piauí.








