Opinião
Admirável mundo novo
*Beto Cury
Nas últimas décadas, ocorreram profundas transformações sociais,
econômicas e culturais, que afetaram as rotinas produtivas e as
relações sociais, comerciais e trabalhistas em todo o mundo. Esse novo
contexto aumentou as desigualdades sociais e exigiu um novo olhar para
enfrentar o quadro de exclusão. O progresso que a humanidade tem
alcançado e a rapidez com que surgem as inovações nos faz pensar nesse
admirável mundo novo, de conquistas e questionamentos. Nesse cenário,
uma agenda de políticas públicas para a juventude é imprescindível. Em
tempo algum, nossa sociedade teve tantos jovens como agora: são 50,5
milhões de brasileiros com idade entre 15 e 29 anos. Nos últimos anos,
grande parte desses jovens vem se adaptando aos paradigmas desse novo
mundo, convivendo com os avanços tecnológicos e conquistando seu
espaço, sua liberdade de escolha e sua própria identidade. Nessa perspectiva, o olhar sob o universo juvenil não pode se ater apenas a uma abordagem emergencial, cujo foco seja o jovem em situação de risco. Essa realidade se mostrou insuficiente na elaboração e implementação de políticas públicas. É preciso considerar a heterogeneidade da juventude, com características distintas, que variam de acordo com aspectos sociais, culturais, econômicos e territoriais. As políticas públicas precisam se adaptar a essa primazia do conhecimento audiovisual, da tecnologia digital, da convergência sistêmica das mídias, da educação a distância, do teletrabalho, do teleprocessamento, da autogestão e do empreendedorismo.
É preciso entender que, por sua natureza, a condição de vida dos jovens é transitória e sua posição social é precária. Eles se guiam por dimensões simbólicas e temporárias, mais do que por metas físicas e planos objetivos; mais por emoções do que pela razão. Carregam consigo a marca da disposição, mentes abertas, corações empolgados. Logo, as políticas dedicadas a esse segmento não devem encarar os jovens como seres carentes, meros beneficiários de projetos e programas, mas como protagonistas, agentes estratégicos da construção social.
A inclusão digital dos jovens é essencial para a consolidação de uma Política Nacional de Juventude. Com programas específicos, como o Casa Brasil, e outras parcerias, o governo federal incorporou em sua agenda política o conceito de uma nova sociedade da informação. Com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, é preciso oferecer aos jovens cursos de formação e qualificação profissional que gerem oportunidades de acesso a essas novas tecnologias. Os Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura, são exemplo da democratização da cultura popular brasileira por meio da produção multimídia. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), que proporciona a mais de 170 mil jovens o aprendizado de uma nova profissão, é outro exemplo. A qualificação profissional do programa inclui áreas como arte e cultura, com ocupação em operador de câmera e vídeo, ou telemática, optando pelo operador de microcomputador, helpdesk ou telemarketing.
As políticas públicas precisam preparar o jovem para enfrentar essa realidade virtual que se coloca, sem perder os sonhos do imaginário, perseguindo os objetivos e superando obstáculos. Esse é o novíssimo desafio que devemos enfrentar: um mundo onde o homem, o jovem, seja senhor de sua própria história. E é nesse admirável mundo novo que o jovem encontra sua individualidade e passa a respeitar o coletivo, trabalhando com ele e em prol dele, por uma sociedade cada vez mais democrática e inclusiva.
(*) Secretário Nacional de Juventude








