Luzes no meio do mar, em Mangaratiba.
Prefeitura ilumina três distritos e 54 ilhas com sinal banda larga sem-fio

Projeto InfoTur Mangaratiba Digital,
no centro de informação turística. A Ilha de Jaguanum não tem telefone nem energia elétrica. No meio do mar, a 5 milhas (ou oito km) do continente, contudo, já tem conexão banda larga, e, nos próximos meses, os alunos da sua escola pública poderão acessar a internet. É apenas um dos exemplos do que ocorre em Mangaratiba, município a 90 km do Rio de Janeiro, com 35 mil habitantes, em três distritos e 54 ilhas, e que, apenas há dois anos, inseriu-se na sociedade de informação graças a uma rede sem-fio (WiMAX e Wi-Fi).
A rede não atende às residências, mas beneficia a população via telecentros, escolas, hospital, centro cultural, centro de informação turística, associação comercial, destacamento da PM. De acordo com Pedro Lemelle, secretário municipal de indústria, comércio e tecnologia da informação, são quatro telecentros públicos — no distrito de Itacuruçá, no de Muriqui, na Praia do Saco, e no centro de Mangaratiba. Este mês, mais um será aberto, com apoio federal, para os quilombolas da Ilha da Marambaia. Até o final da gestão, a prefeitura quer ter dez telecentros, sendo mais três ainda este ano.
A rede também vai conectar todas as 28 escolas da região — já chegou a dez, e outras oito estão na agenda de 2007. Da mesma forma, antes de dezembro, os sete postos de saúde serão ligados à secretaria municipal, e a prefeitura vai contratar uma solução de voz sobre IP, numa expansão orçada em R$ 100 mil.
Lemelle conta que o primeiro passo para reverter a exclusão digital da região foi buscar parceiros. No Proderj-Centro de Processamento de Dados do Estado do Rio de Janeiro, teve a informação de que a Intel estava disposta a investir em projetos com tecnologias Wi-Fi e WiMAX, no Rio. “Elaboramos uma justificativa detalhada: Mangaratiba tem alto potencial turístico, grande rede hoteleira (Club Med, Porto Bello, Porto Real), comunidades localizadas em ilhas (10% da sua população), entre a serra e o mar. Na Serra do Piloto, eram mais mil pessoas, totalmente excluídas, além da população urbana, que só tinha internet discada”.
Foram selecionados e, em setembro de 2005, em freqüência não-licenciada, a rede entrou no ar. Atualmente, são quatro antenas: uma no morro de Santo Antônio (no centro), que retransmite com WiMAX para as demais, em Guiti (perto da praia do Saco); na rodovia RJ 14, que garante cobertura a Muriqui (distrito municipal); e no cais de Itacuruçá (outro distrito), que, por sua vez, redistribuem o sinal com Wi-Fi.
Lemelle informa que 90% da administração foi automatizada. Por meio do portal da prefeitura, o contribuinte pode consultar processos e informações sobre serviços. Para atender os usuários residenciais, agora, há três provedores privados — dois na tecnologia de radiofreqüência — , e um ADSL (o Velox, da Telemar, no centro).
Os telecentros usam Linux e Open Office. E, num acordo entre prefeitura e a empresa BRQ, 55 alunos vão aprender a mexer com Java (plataforma da Sun), de olho na segunda usina a ser construída pela CSN e a CSA, com a Cia. Vale do Rio Doce, no porto de Sepetiba. A Intel financiou a infra-estrutura da rede. A Associação Comercial doou equipamentos, e o Banco do Brasil e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), computadores.








