Em Salvador, internet de passagem.
Prefeitura inaugura ônibus equipado com acesso à internet.
A prefeitura de Salvador inaugurou um ônibus com 12 terminais para
acesso à internet, e está reformando mais um para, ainda neste
semestre, oferecer “inclusão digital” à população, segundo informa
Napoleão Lemos, diretor de tecnologia da Prodasal-Cia. de Processamento
de Dados de Salvador.Segundo Napoleão, o Buzú Digital, nome dado ao projeto dos ônibus, é uma “ação estratégica”, inserida no projeto Metrópole Digital. Esse programa prevê, no conjunto, a oferta de governo eletrônico (com o governo federal) e um pólo de tecnologia na cidade (com o governo estadual) — objetivos em fase de estudos —, e ações de inclusão digital que começam a ser executadas, entre elas os ônibus e a instalação de laboratórios de informática em espaços públicos e em escolas municipais abertas às comunidades. O orçamento da Prodasal para o programa, em 2007, é de R$ 400 mil. Mas o diretor da empresa acredita que repasses federais possam elevar os investimentos a R$ 3 milhões.
Os canais de acesso à internet, além do ônibus, estão sendo oferecidos nas administrações regionais e nas Casas dos Trabalhadores. São 20 Casas, geridas pela Secretaria de Emprego e Renda. Por enquanto, cinco estão equipadas com acesso à rede — quatro com dez computadores, e uma com 20, no bairro de Cajazeiras.
“O objetivo é que as Casas sejam utilizadas por trabalhadores desempregados ou jovens”, diz Napoleão. As sedes das 18 administrações regionais também vão ganhar computadores para cursos e navegação na web. Até o início de março, havia laboratórios em duas delas. A Casa de Cajazeiras, segundo o diretor da Prodasal, deve se transformar, no segundo semestre, em um Telecentro de Informações e Negócios (TIN), com apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
Em todas as iniciativas, vão conviver programas de código aberto e fechado. “Não tenho opinião radical. Temos que buscar o software livre para manter a independência tecnológica, mas podemos usar outro também”, acredita o diretor da Prodasal.
O ônibus foi idealizado pela Prodasal, e a sua gestão educativa, entregue à ONG Mais Social, pilotada pela primeira-dama do município, Maria Luiza Orge de Barradas e Carneiro (que se afastou da presidência em março de 2006, para se tornar deputada estadual).
O ônibus pára em uma praça de movimento, liga a conexão na web, e fica estacionado de dez a 14 horas por dia, durante várias semanas. Em Cajazeiras, onde foi lançado, em julho de 2006, o Buzú Digital esteve por 45 dias. E quando o ônibus vai embora? “Lá em Cajazeiras”, conta Napoleão, “foi uma tristeza de ver”. A prefeitura planeja ter seis ônibus, até 2008. E conta com 300 computadores para ações de inclusão digital.
Para o primeiro ônibus, o Ministério Público de Salvador cedeu o veículo em comodato, a empresa Unisys doou 12 terminais thin clients, com Linux, e a Prodasal fez a reforma, num investimento de R$ 100 mil. O segundo Buzú foi doado pela empresa de transportes Praia Grande, e os terminais Unisys foram comprados pela prefeitura, junto com 12 monitores de cristal líquido, que, somados aos equipamentos da rede, totalizaram R$ 40 mil. Os ônibus possuem, ainda, elevadores para cadeirantes.








