Editorial
A internet não só modificou o conceito da mídia tradicional, como abriu
espaço para os internautas se transformarem, eles próprios, em
produtores — de textos, áudio ou vídeo. Esse movimento cresce
aceleradamente e tem no YouTube, o portal de vídeos, e no OhMyNews,
jornal feito com a colaboração de leitores, os seus mais expressivos
ícones. No Brasil, a produção colaborativa começa a ganhar expressão,
como revela a reportagem de capa desta edição. O Estúdio Livre e o
Overmundo são dois sites dedicados à publicação de produtos
culturais, criados por qualquer pessoa; buscam uma estrutura horizontal
e o fim da figura do intermediário (o editor, que seleciona o que é
publicado); e todas as obras são de uso livre.Mas a revolução da internet, associada ao barateamento das tecnologias para a produção de conteúdo, ainda precisa derrubar barreiras até que todos os internautas — de preferência, não só os que têm renda para ter computador e conexão ou que conseguem espaço em pontos de acesso público — possam desenvolver seu potencial de autores. É preciso desenvolver interfaces amigáveis, tutorais, oficinas, para que o compartilhamento do saber e a produção multimídia realmente se disseminem e não fiquem restritos aos que dominam os códigos. Além, é claro, de um programa nacional de banda larga. Também busca-se um modelo de negócios, para os que querem fazer da sua produção uma fonte de renda. Por enquanto, ninguém sabe como ele será. Mas é inevitável, com essa avalanche de produção na web, que esses caminhos sejam descobertos.
Novos canais
Embora produzir esteja cada vez mais fácil, com o barateamento dos equipamentos digitais, a distribuição pelos canais tradicionais (estúdios, gravadoras, TVs) continua concentrada e acessível a poucos. O avanço da tecnologia digital, com a convergência dos serviços e mídias, abre novos canais para a distribuição de conteúdo por redes que antes trafegavam m único serviço: ou voz, ou dados, ou vídeo. Como essas redes devem participar da distribuição de conteúdo é tema de três projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados (saiba mais). É fundamental que as prestadoras de serviços de telecomunicações possam participar da produção, empacotamento e distribuição de conteúdo, abrindo novas alternativas para os produtores. Mas é fundamental, também, que sejam obrigadas, em contrapartida, a garantir espaço em sua grade, em seus canais ou em sua biblioteca de ofertas, ao conteúdo nacional, feito por empresas brasileiras. Essa é uma oportunidade que não podemos perder.
Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial








