Dia da Internet Segura - 2012
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N@escola - Publicar (na rede) ajuda a ensinar e a aprender


Professores apostam no potencial pedagógico dos blogs, como incentivadores do hábito de escrever – com correção e com conhecimento do tema – além de estimular o debate e desenvolver o senso crítico. O edublogs proliferam no país, em diversos níveis de ensino e em todas as camadas sociais.  
Leandro Quintanilha


Em Blogsfera M@rli, professora,
reúne os links de sete edublogs
que mantém com alunos.

Os blogs surgiram nos anos 90 como um ícone da liberdade de expressão na internet. Hoje, essas páginas de livre publicação contam com cerca de 48 milhões de adeptos – e ainda mais prestígio. É que, além de serem fáceis de usar e democráticos por natureza, os blogs se revelam, agora, promissores aliados virtuais dos professores. Na era da inclusão digital, os edublogs representam uma espécie de vanguarda teórico-pedagógica, adaptável a qualquer disciplina, nos diversos níveis de ensino, em todas as camadas sociais.

Para a acadêmica Zilá Moura e Silva, doutora em didática pela USP, o fenômeno tem feito com que alunos e professores escrevam mais e melhor. “As propostas tradicionais de escrita na escola são muito artificiais. Em geral, as pessoas têm dificuldade em discorrer de forma mais aprofundada sobre um tema”, avalia. Isso ocorre, segundo Zilá, porque os alunos não são estimulados a escrever com envolvimento. Com a possibilidade de publicação, o entusiasmo e o empenho são maiores. E a prática gera uma familiaridade progressiva com a escrita: quanto mais se produz, mais se deseja fazê-lo. “Autoria gera auto-estima”, observa.

A professora de Língua Portuguesa Marli Fiorentin concorda: “Os alunos ficam entusiasmados ao perceber que suas idéias têm valor”. Ela dá aulas para o ensino fundamental na Escola Estadual Padre Colbachini, em Nova Bassano, cidade com cerca de 10 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Só descobriu a blogosfera no começo do ano passado e já mantém sete edublogs. “Com as páginas na internet, os alunos ficam mais motivados a ler e escrever”, constata.


Blog Contos da Escola, estudantes
 de Letras coloca a educação em
debate.
O cuidado com o texto também é maior. “Em relação à forma e ao conteúdo”, afirma Raquel da Cunha Recuero, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas e doutoranda em Informação e Comunicação. Para ela, esses espaços-autoria são um antídoto para a chamada geração Ctrl C + Ctrl V (atalhos do teclado usados para copiar e colar textos). “O aluno passa a apurar melhor as informações disponíveis na internet, para construir textos de qualidade”, observa a professora. Escrever seus próprios textos e ler a produção dos colegas são hábitos, afirma, que geram um ciclo positivo. “Ao tentar se superar, eles aprimoram o senso crítico”, diz.


A vida como ela é

Os edublogs favorecem o trabalho em equipe e a construção colaborativa do conhecimento, afirma Sônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, de São Paulo, e coordenadora do Núcleo de Interatividade do portal EducaRede. Sônia é a criadora do Lousa Digital, um blog de discussões sobre o uso pedagógico da internet. “Procuro auxiliar o professor na sua prática diária: indicar novos recursos, apresentar projetos bem-sucedidos e promover a interação entre educadores geograficamente distantes, além de divulgar eventos relacionados”, descreve.

Trabalho semelhante é realizado por uma professora em formação, a redatora e estudante de licenciatura em Letras Débora Batello, criadora do Contos da Escola. “Educação não é só lousa e gis. O professor tem que encontrar meios para estimular os alunos”, afirma. O público-alvo de seu blog são professores e aspirantes à carreira. Os temas propostos vão além da relação entre educação e tecnologia. Polêmicas como sistemas alternativos de avaliação e a política de cotas para negros e estudantes de escolas públicas nas universidades são alguns dos assuntos abordados. Nos comentários, os leitores desenvolvem o debate.

A professora Marli, de Nova Bassano, criou seu primeiro blog pedagógico no ano passado, para uma turma de 8ª série: Vidas Secas – Da ficção à realidade, inspirado na célebre obra de Graciliano Ramos. “A idéia surgiu porque estávamos sofrendo com uma estiagem muito longa, aqui na região, que nos afetou financeira e emocionalmente”, conta ela. Os alunos analisaram o livro e pesquisaram sobre o contexto histórico em que foi escrito.


No edublog Pedagogia na Rede,
professor compartilha experiências
da vida escolar.
Na seqüência, Marli convidou alguns escritores profissionais para colaborar com o edublog, como o mineiro Wellington Pino e os gaúchos Caio Riter e Marcelo Spalding. Em um ano, a professora criou mais seis edublogs. E um sétimo, o Blogosfera M@rli, reúne todos os links. Vários do alunos mantêm, hoje, blogs pessoais.

O trabalho da professora Zilá com meios de publicação na internet começou há dez anos – antes da “febre” dos blogs. Na Unesp de Bauru, ela participou da criação do site Universidade Sem Fronteiras, que não era exatamente um blog, mas reproduzia o conceito de autoria-publicação ao colocar na rede os trabalhos de conclusão de curso (os TCCs).

Era só o começo. No correr dos anos, Zilá começou a adotar blogs propriamente ditos no curso de formação de professores da Faculdade Sumaré, em São Paulo, e no de gestores escolares da Uirapuru Superior, de Sorocaba. “Comecei com provocações”, lembra. Ela criava um blog para a turma no qual propunha problemas a resolver e discussões sobre assuntos polêmicos. Deu certo. Com o tempo, os educadores passaram a criar seus próprios diários virtuais, repassando o gosto da publicação para seus alunos. Tal como aconteceu com Marli.


Diário de bordo

A palavra weblog é uma junção dos vocábulos do inglês web (originalmente, teia; mas hoje também com a acepção de página da internet) com log (diário de bordo). Tradução literal: diário na rede. O blogs, como são hoje chamados, surgiram na década de 90 e, atualmente, o número de adeptos aumenta num ritmo avassalador. O site Technorati, que mantém sistema de busca específico para blogs, estima haver cerca de 48 milhões dessas páginas em funcionamento. Mas, no momento em que você lê esta reportagem, esse número já deve estar defasado – a cada dia, são criados mais de 75 mil novos blogs, segundo o instituto de pesquisa em tecnologia norte-americano Pew Internet. Cerca de 11% dos usuários de internet do mundo são leitores habituais de blogs. Estima-se que sejam publicados 1,2 milhão de novos textos, por dia, o que equivale a 50 mil atualizações por hora.

www.pewinternet.org – Pew Internet
www.technirati.com – Technirati



Modelos e possibilidades

Os edublogs são páginas de publicação mantidas por teóricos da educação e/ou professores, com ou sem a participação de alunos. Os temas variam de teorias da educação, políticas públicas na área a assuntos relacionados a disciplinas específicas. O professor pode usar a plataforma para propor gincanas, debates, pesquisas, exercícios e experimentos para os alunos. Mas há vários outros tipos de blog, com fins artísticos, informativos ou de entretenimento, que podem servir de inspiração e referência para os educacionais. Eis alguns:

Diários – O tema é a vida pessoal do autor, que relata fatos cotidianos.
Opinativos – Textos argumentativos que expressam a opinião do(s) autor(es). O blog pode ter um tema central ou tratar de generalidades. Alguns jornalistas mantêm páginas de publicação desse modelo na rede.
Literários – Pode ser um espaço para a publicação de contos, crônicas, poesias e até romances, em capítulos, de autoria do criador.
Clippings – Apanhado de links e/ou recortes de outras publicações online.
De guerra – Relatos sobre a vida em países em situação de conflito.
Mistos – Misturam textos pessoais e informativos. Em geral, combinam relatos pessoais e comentários do autor sobre notícias que circulam na mídia.
(Baseado em artigo da acadêmica Raquel da Cunha Recuero)



Responsabilidade editorial


Pedagoga, advogada, especialista em Direito Digital e membro da Comissão de Apoio ao Advogado Professor da OAB-SP, Cristina Moraes Sleiman está envolvida na criação de uma política de educação digital dirigida aos professores do Senac de São Paulo. Favorável ao uso responsável de blogs na educação, ela alerta sobre cuidados importantes a serem tomados na rede, como o respeito aos direitos autorais, quando se tratar de material que não é de uso livre, e de imagem.

ARede –
Qual o risco de publicar conteúdos alheios sem autorização?
Cristina – Toda obra artística, científica ou literária conta com a proteção da Lei de Direitos Autorais. O fato de uma obra estar na internet não quer dizer que esteja disponível para cópia. Deve-se verificar a existência de algum tipo de licença de uso. Na ausência dessa informação, deve-se entrar em contato com o autor e guardar o e-mail com a autorização. Em relação às fotos, há de se preocupar, ainda, com os direitos de imagem das pessoas envolvidas.

ARede –
O que pode acontecer quando um blog ou edublog vira um espaço de intrigas, ofensas e acusações?
Cristina – A Constituição Federal protege a honra, a vida privada e a imagem das pessoas. Em caso de violação, a vítima pode solicitar direito de resposta e indenização. O autor da publicação ainda corre o risco de responder, penalmente, por calunia, injúria e difamação. Muitos jovens fazem comentários depreciativos sobre colegas e professores em blogs. Se forem menores de idade, a responsabilidade pode recair sobre os pais.

ARede –
É necessário pedir a autorização dos pais para que seus filhos participem de um edublog?
Cristina – Como se trata de uma ferramenta de apoio pedagógico, não vejo necessidade. Em todo caso, seria conveniente que a escola acrescentasse uma cláusula no contrato de matrícula sobre a utilização de tais recursos.

ARede –
Os professores precisariam também de autorização da direção da escola?
Cristina – Esse é um ponto crucial, apesar de poucos atentaram para a questão. Devo lembrar que existe a questão da marca, nome da empresa. Se ocorre um incidente envolvendo essa marca, a empresa pode ser responsabilizada. Meu conselho é que a instituição defina, em seu projeto pedagógico, diretrizes para utilização da ferramenta. Na ausência dessas diretrizes, é conveniente que se tenha, ao menos, autorização da coordenação.

ARede –
Os professores podem inserir o desempenho dos alunos nos blogs educativos na avaliação escolar?
Cristina – A avaliação tem sido alvo de discussão há muito tempo e, hoje, assume um papel muito mais abrangente. Busca-se um processo de ensino-aprendizagem mais humanista. Cada pessoa tem seu tempo e seu desenvolvimento. O blog, se bem trabalhado, pode ser um grande aliado do professor. É um espaço mais descontraído, em que o aluno se sente mais à vontade. Pode ajudar na percepção do professor quanto ao desempenho individual de cada aluno.

ARede –
Os blogs educativos podem representar uma oportunidade para pais e professores orientarem seus filhos/alunos sobre a importância de se comunicar com respeito e responsabilidade?
Cristina – Sim. A internet expandiu os horizontes da comunicação e trouxe, com ela, novas preocupações e riscos. A conscientização para o uso responsável dos meios digitais é o melhor meio para evitar problemas. Mas não podemos deixar que essas questões sejam barreiras para a utilização dessa ferramenta, que, quando usada de forma responsável, pode promover maravilhas.



Tarefa de sala

Como ocorre em toda atividade escolar, os alunos também precisam ser orientados sobre como se comportar na rede. Eis alguns temas que devem constar nessa conversa:

• A senha é uma identidade digital e não deve ser divulgada ou emprestada a ninguém. Alterá-la regularmente é uma medida de segurança.

• Passar-se por outra pessoa é crime.

• Não se deve fornecer informações pessoais a quem não se conhece pessoalmente.

• Quem copia textos, imagens e trabalhos artísticos na rede pode estar violando leis de direitos autorais.

• É preciso cuidar para que imagens publicadas no blog não violem o direito de imagem dos outros.

• Espalhar fofocas, ofender ou ameaçar alguém pode causar problemas sérios e responsabilizar os pais.

• Ao publicar um texto próprio, é oportuno deixar claro se ele pode ou não ser reproduzido.




Edublogs

http://blogosferamarli.blogspot.com – Blogosfera M@rli (com os links para os outros seis edublogs criados pela professora)
http://contosdaescola.net – Contos da Escola
http://lousadigital.blogspot.com – Lousa Digital
http://matematicanasoitavas.blogspot.com – Matemática nas Oitavas
http://palavraaberta.blogspot.com – Paravra Aberta
http://pedagogianarede.blogspot.com – Pedagogia na Rede
http://sergioflima.pro.br/blog/blogs/index.php/blogefisica – Blog de Física
http://aprendendoaensinar.blogspot.com – Aprendendo a Ensinar

Provedores gratuitos

www.blogger.com.br – Blogger
www.blogspot.com.br – Blogspot
www.blig.com.br – Blig
www.blogtok.com – BlogTok
www.uol.com.br/blog – Uol Blog

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