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Editorial



As esperanças de usar os recursos do Fust pelo menos para colocar telefones em 80 mil escolas públicas, desfizeram-se no ar. A emenda da Comissão de Ciência e Tecnologia que destinava R$ 650 milhões para serem aplicados neste ano foi reduzida a míseros R$ 400 mil, no relatório setorial, valor que deveria ser sacramentado no relatório final do deputado Carlito Mers (PT/SC). Como a proposta orçamentarária do Executivo só previu R$ 7 milhões para o Fust, tudo que o Ministério das Comunicações vai ter para gastar com a instalação de telefones será R$ 7,4 milhões.

Nem a garantia dada pelo presidente Lula ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, de que o governo apoiaria a liberação dos R$ 650 milhões teve peso na definição do orçamento. Os argumentos de assessores do Planalto, de que a emenda não foi incorporada porque não havia condições objetivas de gastar os recursos este ano, são mera desculpa. Os técnicos do Minicom reconheciam que não teriam como gastar os R$ 650 milhões, mas que algo entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões era perfeitamente exeqüível. Com isso, quebrariam o paradigma de nunca terem sido usados os recursos do Fust, abrindo espaço para uma disputa mais efetiva, com base em realizações objetivas, pelos recursos de 2007.

Na verdade, a emenda foi descartada por absoluta falta de recursos, que foram carreados para os pleitos considerados prioritários, entre eles o aumento do salário mínimo. “O erro foi o governo não ter incluído os recursos do Fust em sua proposta orçamentária”, afirma o deputado Jorge Bittar (PT/RJ). De fato, o governo Lula decidiu liquidar com o Fust nas propostas orçamentárias: R$ 40 milhões, em 2004; R$ 30 milhões, em 2005; e R$ 7 milhões, em 2006. Uma falta de sensibilidade e visão políticas que ajuda a consolidar, entre as operadoras que contribuem para o Fust, o sentimento de que têm que lutar contra a exigência de aplicarem 1% de sua receita no Fundo, já que seus recursos não estão sendo usados para os fins que fundamentarem sua criação.

Educação para a acessibilidade

Embora a legislação determine, a internet e a produção da informação mediada por computador ainda não são projetadas para pessoas portadoras de deficiências, como mostra a reportagem de capa desta edição. Os programas disponíveis são poucos, e a maioria deles é proprietária. Para mudar esse quadro – os formuladores de políticas públicas começam a acordar para o tema –, é preciso, na visão dos especialistas, uma ação de educação massiva para a acessibilidade.

Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial

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