Dia da Internet Segura - 2012
  • Home
  • Quem Somos
  • Fala Leitor
  • Para Receber a Revista
  • Anuncie
  • Cadastre-se
  • Busca

ARede


  • Notícias do dia
  • Agenda
  • Revista ARede
  • Fotografite
  • É Nóis
  • RSS

Conexão Social - A educação no olho da rua


O Itaú Cultural analisou 221 projetos de educação não-formal, que usam arte e cultura, e premiou cinco educadores. Todo o material será divulgado para apoiar outras ações fora dos muros das escolas.
Verônica Couto

“É preciso tirar as crianças da rua” - costuma-se ouvir, quando o assunto são as desigualdades no Brasil. O secretário de Programas e Projetos Culturais, do Ministério da Cultura, Célio Turino, tem outra opinião. “Não seria melhor desenvolver ações para ocupar a rua de forma interessante?, pergunta. A essa ocupação dos espaços da cidade, tocada principalmente pela sociedade civil, deu-se nome de educação não-formal. Tema deste ano do programa Rumos Educação Cultura e Arte, do Instituto Itaú Cultural, que premiou, em novembro, cinco educadores que trabalham com cultura e arte para a inserção social de crianças e jovens.


Maria Helena, da Associação Novolhar.

A seleção reuniu 221 inscritos, com o objetivo de recolher experiências sociais que dessem possibilidades aos jovens de atuar como protagonistas. “Protagonismo, empoderamento e autonomia”, para Turino, são os três princípios vitais da educação não-formal - “aquela que sai dos muros da escola, e em que a sociedade começa a se perceber como educadora, num processo permanente de aprendizado”, explicou, durante o Encontro Educação Não-Formal: Ações e Repercussões, realizado na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, para apresentar os projetos premiados.

Por causa do critério do protagonismo, não foram aceitos, por exemplo, projetos que aplicam a tecnologia exclusivamente com fins funcionais ou profissionalizantes. “Percebemos que o uso das tecnologias têm focado a inclusão digital, mas não a expressão cultural”, justifica Renata Bittencourt, gerente de educação cultural do Programa Rumos Educação e Cultura. Os cinco educadores receberam R$ 5 mil (além de R$ 10 mil para suas respectivas instituições) e devem participar de outras atividades, ao longo de 2006.

Para conhecer suas metodologias, os trabalhos inscritos estão sendo estudados pela Universidade de Campinas (Unicamp). No segundo semestre, devem dar origem aos cadernos de Educação, Cultura e Arte, com a sistematização dos projetos, que também serão publicados na internet. Para a pedagoga Renata Sieizo Fernandes, da Unicamp, consultora do Programa Rumos, essas práticas formativas são transformadoras. Mas, nesse processo, o Estado transfere responsabilidades para o Terceiro Setor, que tem dificuldades para financiar as ações. “Inúmeros bons projetos fecham. O que não aconteceria, se estivessem previstos em lei”, acredita a pedagoga.

Segundo Turino, nas ações de protagonismo, destacam-se os trabalhos com vídeo popular. De fato, dois dos educadores premiados têm projetos com audiovisual – Carla Araújo Lopes, do Cria, de Salvador, que encena peças teatrais, gravadas e exibidas para as comunidades; e Maria Helena Santos, da Associação Novolhar, totalmente envolvida em oficinas de vídeo. “A construção da imagem que a pessoa tem dela mesma é fundamental para o diálogo social”, diz Turino. E cita o exemplo das galheiras – estruturas de ferro que eram atadas à nuca dos escravos, para que suas longas hastes em forma de galhos enganchassem nas árvores, os impedindo de fugir. “Talvez daí venha o andar de cabeça baixa; mas, talvez, também por isso o brasileiro tenha desenvolvido esse jeito dançado de jogar futebol, único no mundo. Olha o que se pode fazer na construção da identidade de uma raça. Mas, quando a pessoa descobre sua imagem, levanta a cabeça”, afirma.

www.itaucultural.org.br – Escolha a opção Rumos, no menu superior.


O mundo é maior

Novolhar dá oficinas para até 360 meninos por ano, na Febem-SP.

A educadora Maria Helena Santos, uma das premiadas do programa Rumos Educação Cultura e Arte, do Instituto Itaú Cultural, é  coordenadora do projeto de comunicação e audiovisual na Febem São Paulo, desenvolvido pela Associação Novolhar. Ela pilota uma equipe que dá oficinas de vídeo com duração de quatro meses, e que atendem, por ano, até 360 meninos, em diferentes unidades da instituição.


Vinicius: um cineasta
em formação.
“O vídeo dá imagem para quem está fora da imagem, considerado invisível”, explica ela, que reconhece, na própria história, os impactos do acesso à experiência artística. Maria Helena nasceu no Jaraguá, na zona norte paulistana. “A periferia era distante de tudo. Quando comecei a sair, fiquei impressionada com as possibilidades de fazer coisas”, diz. Para essa descoberta, contribuíram os pais, que militavam nas Comunidades Eclesiais de Base (CEB), da Igreja Católica, e o fato de ter feito muito teatro comunitário. “A arte mostra que o mundo é maior”.

A Associação Novolhar mantém quatro programas de educação e cidadania que, juntos, compõem o “percurso formativo novolhar”. Os jovens começam nas oficinas de vídeo – no Bexiga, na região central, ou nas unidades da Febem-SP -, e passam à produção do programa Novolhar (projeto Novolhar na TV), veiculado na TV PUC de São Paulo e Campinas, quando recebem uma bolsa mensal de R$ 300,00. Ao fim dessa etapa, podem se integrar à produtora Novolhar Comunica.

Vinicius Monteiro da Rocha, de 18 anos, faz parte de um grupo de cinco jovens formados nas oficinas da Febem-SP, que vão ingressar, em janeiro, no projeto Novolhar na TV. Escreveu um argumento para o vídeo “Na Comunidade, Existe Felicidade”, título provisório, ainda sujeito à aprovação da equipe. Aprende, agora, a aceitar as críticas dos parceiros. “O texto é como um filho”, admite. Também adquiriu um jeito novo de ouvir música, interpretando as letras, e já fez muitos exercícios de câmera.

Entendeu, no entanto, que há mais coisa além do botão de gravar. Na primeira oficina, no final de 2004, em Franco da Rocha, na Gande São Paulo, dedicou cinco meses à produção de um vídeo. Não conseguiu terminar, porque, em abril de 2005, foi tranferido para Tupi Paulista, divisa com Mato Grosso do Sul. O trabalho não foi perdido. O making of das oficinas virou um clip feito pela equipe da Novolhar. “Emocionante. Depois de assistir o material, onde cortaram e a montagem, me deu vontande de aprender a editar”, lembra Vinicius, que retomou o projeto ao voltar. “Saí numa quarta-feira, na quinta já liguei para a Novolhar”. Como diria o Rappa, na canção O Salto, “a memória é uma ilha de edição”, ensina o jovem.

www.novolhar.org.br

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Enviar
Cancelar
JComments

Adicionar Site aos FavoritosAdicionar Página aos FavoritosTornar Esta Sua Página PrincipalImprimir Esta PáginaSalvar como PDF
Pressione (Ctrl+D) para adicionar a página! Você precisa fazer isto manualmente! Preencha o forumlário abaixo
Close