Dia da Internet Segura - 2012
  • Home
  • Quem Somos
  • Fala Leitor
  • Para Receber a Revista
  • Anuncie
  • Cadastre-se
  • Busca

ARede


  • Notícias do dia
  • Agenda
  • Revista ARede
  • Fotografite
  • É Nóis
  • RSS

Opinião - Para aonde vai a internet?


Carlos A. Afonso *

A primeira fase da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), concluída na reunião de Genebra de dezembro de 2003, deixou dois temas cruciais em aberto. O primeiro trata de como financiar a implantação das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento; o segundo, da governança global na internet -- como criar, melhorar ou adaptar mecanismos globais que permitam tratar dos temas centrais derivados da presença cada vez mais abrangente da internet em todas as nações. Para discutir essas questões, a ONU criou dois grupos de trabalho internacionais -- a Força Tarefa sobre Mecanismos de Financiamento (FTMF, ou TFFM em inglês), cujo relatório foi divulgado em janeiro de 2005; e o Grupo de Trabalho sobre Governança da Internet (GTGI, ou WGIG), que apresentou o seu trabalho em julho. Ambos relatórios servirão de insumos para o processo preparatório da segunda fase da CMSI, que culmina com uma conferência internacional na Tunísia, em novembro de 2005.

A governança global da internet é um tema que envolve poderosos interesses. Afinal, trata-se de definir ou aperfeiçoar a coordenação global dos diferentes componentes da rede, desde a infra-estrutura até os métodos adequados de eventual supervisão de conteúdo. Um consenso já existe: do jeito que está não pode ficar. Não há um foro mundial para estabelecer acordos efetivos relativos à internet para o compartilhamento justo dos custos de conexão entre países, para definir políticas eficazes contra spam e phishing, para garantir a liberdade de expressão, o direito à informação e muitos outros direitos (e deveres) que, com a presença inevitável da internet em nossa vida -- mesmo na das pessoas que a ela não têm acesso --, passam a ser cruciais.

Um componente fundamental da governança é exercido por uma entidade civil sem fins de lucro criada pelo governo Clinton na Califórnia, em 1998 (a Corporação Internet para Designação de Nomes e Números, conhecida pela sigla em inglês ICANN). A entidade coordena a distribuição mundial de nomes de domínio de primeiro nível (tanto os globais, como ".com", ".net", ".org", etc., como os nacionais, como ".br", ".iq", etc.), através da gerência dos servidores-raiz que permitem associar esses domínios a endereços IP (números que identificam univocamente qualquer computador conectado à internet). Coordena ainda a distribuição mundial dos endereços IP e a adoção dos protocolos de comunicação utilizados pela rede. O controle sobre a ICANN é mantido pelo governo dos EUA através de contratos envolvendo a entidade, o governo federal e a empresa Verisign. Um desses contratos, um memorando de entendimento entre a ICANN e o Depto. de Comércio, expirará no final de setembro de 2006 – significando que a ICANN passaria a operar de modo mais autônomo (se bem que ainda sujeita, como ONG nacional, às leis federais dos EUA e do estado da Califórnia). No entanto, o governo dos EUA, em declaração recente, diz que, mesmo com o fim do memorando, não permitirá que o controle real sobre a infra-estrutura lógica deixe de pertencer aos Estados Unidos, alegando razões de "segurança e estabilidade" da rede.

Por outro lado, uma das demandas mundiais é que a governança da rede passe a ser global, democrática, transparente e pluralista, com representação de todos os grupos de interesse no processo decisório. Alguns países chegam a defender que a governança da infra-estrutura lógica seja entregue à UIT (União Internacional de Telecomunicação), organismo da ONU com representação de cerca de 80 governos e de 600 empresas, mas que não se caracteriza pela democracia, transparência e pluralismo. Se há um consenso claro no relatório do GTGI, é que a governança mundial de qualquer componente da internet não pode estar sob a hegemonia de um único governo. O que vai acontecer no debate dos subcomitês preparatórios temáticos da CMSI, de agora até Túnis, só o tempo dirá, mas é crucial que as entidades civis estejam participando intensamente, para insistir na pluralidade e democracia para qualquer futuro mecanismo global de governança.


[*] Carlos A. Afonso é diretor de planejamento e estratégias da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e membro do Grupo de Trabalho sobre Governança da Internet da ONU.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Enviar
Cancelar
JComments

Adicionar Site aos FavoritosAdicionar Página aos FavoritosTornar Esta Sua Página PrincipalImprimir Esta PáginaSalvar como PDF
Pressione (Ctrl+D) para adicionar a página! Você precisa fazer isto manualmente! Preencha o forumlário abaixo
Close