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Conexão Social - Computador para Todos - O programa começa a andar


O Computador para Todos foi o tema do 1º Painel ARede, que discutiu cada uma das partes que compõem o programa: financiamento, suporte ao software e ao hardware e conexão.

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Rotenberg, dir. da Positivo:
o mais importante programa
desde a Lei de informática.
Construir um projeto de Nação significa construir um projeto de capacitação de seu povo. E é esse o objetivo maior do programa. Com essa afirmação, Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República, procurou definir em que contexto foi construído o programa PC Conectado, rebatizado Computador para Todos, que está sendo lançado pelo governo federal. Resultado de uma articulação entre o governo e o mercado para que as famílias de baixa renda possam adquirir microcomputadores bons e baratos, o programa foi apresentado durante o 1º Painel realizado pela revista ARede, em 13 de julho, em São Paulo, para um público de 140 pessoas.

Embora, naquela data, a implementação do programa ainda dependesse de duas medidas do Executivo para ser colocado na rua – um decreto ou nota técnica formalizando as configurações de micros que poderão ser financiados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador- FAT, e outro criando um serviço especial de conexão discada à internet, que permita às operadoras de telecomunicações cobrar mais barato de quem não tem internet em casa --, Alvarez destacou o efeito que o programa já provocou no mercado: a queda dos preços, especialmente depois que o governo federal editou a Medida Provisória nº 252, no dia 15 de junho de 2005, reduzindo a zero as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a comercialização, no varejo, dos microcomputadores até R$ 2,4 mil. A isenção dessas alíquotas  representa uma redução de 9,25% sobre o preço final.

Como coordenador do Computador para Todos, coube a Alvarez fazer a apresentação do programa e comentar que reflexos ele poderá ter no mercado e na inclusão digital. Depois, cada uma das partes do programa foi detalhada em quatro painéis: suporte ao hardware, financiamento, suporte ao software e conexão.

Políticas públicas

Em sua exposição, Cezar Alvarez ressaltou que a diferença entre o Computador para Todos e as

Cezar Alvarez, coodenador
do Computador para Todos.
demais máquinas beneficiadas pela isenção de impostos não está só no preço. Os micros do programa Computador para Todos não podem custar mais de R$ 1,4 mil, têm que ter programa operacional em software livre e os 26 aplicativos especificados pelo governo. Atendendo a esses requisitos, serão financiados, com recursos do BNDES (financiamento para a cadeia varejista) e do FAT (financiamento para o comprador), com juros subsidiados. No caso dos recursos do FAT, os juros terão que ser inferiores a 2% ao mês.

Alvarez salientou  que a decisão do governo de isentar de  PIS/Cofins os  desktops de até R$ 2,5 mil até 31 de dezembro de 2009, representa um abatimento de 70% do custo público desses computadores. “Estamos fazendo uma política industrial de longo prazo”, afirmou. Isso porque as empresas de informática que cumprem o processo produtivo básico (regras de fabricação no mercado interno) já contam a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializáveis) e a isenção do II (Imposto sobre Importação), conforme estabelece a Lei de Informática. Da mesma forma que faz política industrial com o hardware, o programa, segundo Alvarez, faz política de desenvolvimento de competência no país ao definir o software livre como plataforma obrigatória do Computador para Todos.

Queda de preços

Um dos comentaristas do primeiro painel, Paulo Lustosa, então secretário-executivo do Ministério das Comunicações, assinalou que o programa Computador para Todos é uma das muitas iniciativas do governo federal para promover a inclusão digital. E listou outras, como o Casa Brasil, com pontos de acesso público à internet, direcionado para os que não têm condições de gastar R$ 60,00 para comprar um computador a prestação;  e o Gesac, do Ministério das Comunicações, que dá conexão à internet a 3,2 mil pontos em todo o país.


Moreira, da BrT: parceria
eficiente entre governo,
empresas e sociedade civil.
Para o presidente da fabricante Positivo, Hélio Rotenberg, o programa Computador para Todos é a medida mais importante para o país, desde a Lei de Informática. “A redução do PIS/Cofins é uma revolução no mercado, pois irá atacar diretamente o mercado cinza”, afirmou. Segundo ele, o mercado brasileiro é abastecido em 74% por empresas que atuam no mercado cinza e 26% por aquelas que atuam no mercado legal. Conforme Rotenberg, antes da queda do imposto, um computador de mesma capacidade era vendido no varejo por R$ 1.999,00 enquanto no mercado cinza era encontrado por R$ 1,5 mil. Hoje, afirmou, sua empresa já consegue colocar no varejo os computadores a preços de R$ 1.399,99 (os de menor porte) e R$ 2.499,00 os de maior porte. Segundo ele, a redução do imposto já provocou impacto direto na ampliação da produção de sua fábrica que, em agosto, aumentará 50% em relação a junho, quando foram fabricadas mais de 30 mil máquinas. A queda de preços também pode ser confirmada nos anúncios da Casas Bahia, apresentados no painel pelo seu diretor de tecnologia Roberto Fulcherberguer. Depois da isenção de impostos, a prestação de um micro popular caiu de R$ 119,00/mês para R$ 99,00 mensais, e a cadeia varejista, que tem 18 milhões de clientes especialmente das classes D e E, já estava praticando juros de 3,3% ao mês.

Software livre

Em sua intervenção, o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação - ITI, Sérgio

Amadeu,do ITI: o software
livre para abrir uma grande
oportunidade para o Brasil.
Amadeu, salientou que a inclusão digital deve ser encarada como política pública, assim como são a educação e a saúde. No seu entender, no governo Lula, a inclusão digital apenas começa a ser tratada como política pública. Salientou que o Casa Brasil irá capacitar segmentos pauperizados da população brasileira para usarem as tecnologias da informação. Para ele, o fato de o Casa Brasil e o programa Computador para Todos estarem sustentados em software livre irá abrir uma grande oportunidade para o Brasil se tornar pioneiro no padrão aberto e atrair negócios em todo o território.

Para o vice-presidente da Brasil Telecom, Yon Moreira, o ponto forte do programa é ele ter se transformado em uma parceria múltipla entre governo, empresas e sociedade civil. “O programa tem objetivos claros e papéis  definidos para cada parceiro”, afirmou.

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