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Conexão Social - Novos horizontes na Cooperjovem


Na cooperativa formada no Centro de Profissionalização de Adolescentes Padre Bello (CPA), na zona leste de São Paulo, os jovens conseguem uma renda mensal de até R$ 400,00, reciclando e vendendo computadores e dando suporte a usuários de informática.
Patrícia Cornils


A cooperativa fica na zona leste
de São Paulo, uma das mais
pobres da cidade.
Desde fevereiro, 16 jovens retiram entre R$ 380,00 e R$ 400,00 por mês pelo trabalho na Cooperjovem, cooperativa formada no Centro de Profissionalização de Adolescentes Padre Bello (CPA), em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Em um galpão alugado, eles fazem reciclagem de computadores doados por empresas, vendem máquinas por preços que vão de R$ 350,00 a R$ 1,4 mil e dão suporte a usuários de informática. Em junho, uma equipe de dez técnicos, formada no próprio CPA, montou a estrutura de rede e fez o suporte ao evento Just Java e, depois, a rede e o suporte ao estande da TIM na São Paulo Fashion Week. Os jovens da cooperativa estão criando uma alternativa de geração de renda em uma região onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,397. Nos Jardins, uma das áreas mais ricas da cidade, é de 0,850.

A Cooperjovem é o mais novo projeto do CPA, que atua desde 1978. Todos os anos, cerca de 1,5 mil jovens se inscrevem nos programas do Núcleo Socioeducativo do CPA. São moradores do distrito do Iguatemi, em São Mateus. Há apenas 280 vagas nos cursos e o critério de seleção é a renda por pessoa da família, que deve ser de até R$ 120,00 mensais. Os jovens selecionados freqüentam, por um ano, os cursos oferecidos: mecânica, instalações elétricas, escritório informatizado, suporte técnico em informática, computação gráfica, eletroeletrônica e formação para o terceiro setor. Além dos cursos, o CPA oferece uma refeição a cada período. A refeição é considerada, pelos participantes e pelo CPA, parte importante do programa, devido à carência da região.


Curso de um ano e, enfim,
uma alternativa de trabalho.
A Cooperjovem nasceu porque a CPA, que tem como missão contribuir para que jovens sejam os  sujeitos de sua inclusão social, avaliou que o investimento em formação não é suficiente para que eles se incorporem ao mercado. Não há novos empregos para jovens: em maio, apesar da queda no índice de desemprego da Grande São Paulo nos últimos 12 meses, 27,7% das pessoas de 18 e 24 anos não tinham trabalho. Por conta disso, a maioria dos jovens formados nos cursos do CPA desperdiça o árduo trabalho de um ano de formação em ocupações não-qualificadas, como estoquista de supermercado, feirante ou entregador de panfletos nos sinais de trânsito. “Levamos um ano para mostrar a essas pessoas que outro mundo é possível. Agora, queremos consolidar tudo isso com outras iniciativas”, diz Maria Ester Duarte, coordenadora do projeto.

Desde 2002, o CPA busca alternativas de trabalho para seus jovens, com a criação do programa Aprendiz de Cidadão e o encaminhamento de jovens ao banco JP Morgan, onde são contratados com base na Lei de Aprendizagem (Lei 1.097/00). O projeto cresceu – foram oito contratados em 2002 e 17 em 2005 –, mas ainda envolve poucas pessoas. Assim, o CPA decidiu criar a Central da Juventude, a fim de usar a infra-estrutura do centro para incubar iniciativas de geração de renda. Ali dentro nasceu a Cooperjovem, com a doação de três carretas de equipamentos de informática feita pela agência Reuters, em dezembro de 2004. “O pontapé inicial foi essa doação e o trabalho de receber, mapear e reciclar as máquinas”, conta Rodolfo Avelino, coordenador da cooperativa.

No centro há outros projetos que envolvem tecnologia, como o Garagem Digital, patrocinado pela HP, pelo terceiro ano consecutivo, e onde 60 jovens têm aulas quatro dias por semana. O foco inicial do projeto era web design, mas também mudou. Agora, o Garagem do CPA pretende construir referências para implementação de políticas públicas e programas que assegurem o acesso de jovens à tecnologia da informação e comunicação, a partir de uma atitude de protagonismo e empreendedora.


Depois de reciclados, os
computadores são vendidos
a prestação.
Quando apareceu a doação da Reuters, o CPA se mobilizou para iniciar a Cooperjovem. A Central da Juventude emprestou o dinheiro para alugar as carretas e o galpão; a Associação Caminhando Juntos providenciou microcrédito para a compra de ferramentas. Mãos à obra, e a venda de máquinas recicladas e de sucata rendeu R$ 6,42 mil em fevereiro, R$ 6,7 mil em março; R$ 8,24 mil em abril e R$ 5,7 mil em maio. A queda se deve ao fim do pagamento das prestações dos primeiros computadores, que foram vendidos em três parcelas. “Como tivemos muitas despesas no início do ano, para colocar o projeto em pé, mesmo com a queda da receita conseguimos manter a retirada do pessoal”, diz Avelino. Os computadores usam software livre e a própria entidade está em processo de migração para uma plataforma aberta.





www.cpa.org.br

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