Dia da Internet Segura - 2012
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Editorial



Não é arriscado dizer que os monitores são a alma dos projetos que envolvem pontos de acesso coletivo à internet. Cabe a eles não apenas ensinar noções básicas da tecnologia e de navegação na rede, mas fazer a ponte entre o projeto e a comunidade, estimular o desenvolvimento de atividades como grupos de música, teatro, artesanato, etc., e buscar formas de ajudar a garantir a sustentabilidade das atividades. Por isso mesmo, as entidades envolvidas com a formação de pessoal para projetos de inclusão digital dão especial atenção à sua capacitação, que vai muito além do uso do micro e da internet. Envolve tecnologia de gestão de telecentro, domínio de conceitos de cidadania, atendimento a portadores de necessidades especiais, entre outras qualificações.

A importância desse profissional justifica a matéria de capa desta edição, de autoria da repórter especial Patrícia Cornils. Para mostrar como são, o que pensam e o que sonham os monitores ou educadores – dependendo do projeto, têm um nome --, a jornalista visitou e conversou com muitos deles. O que têm em comum, sejam remunerados ou voluntários, é a capacidade de interagir com a sua comunidade e a facilidade de comunicação. A partir daí, cada um é um. “Monitor é a junção de várias atividades de diversas profissões”, resume Edimilson Ferreira Nonato, 32 anos, monitor do Infocentro Achave, localizado em Parelheiros, na zona sul de São Paulo. Não há exagero. São tantas as demandas e as possibilidades de atuação de um monitor que, se quiser se desenvolver, acabará tendo uma formação multidisciplinar com um certo grau de sofisticação que lhe permitirá trilhar um caminho próprio na vida profissional. Mesmo com todas as dificuldades impostas pela condição socioeconômica, eles tendem a ser vencedores. Fazem por merecer.

Laptop de US$ 100

Na última semana de junho, Nicholas Negroponte, diretor do Medialab do Massachusetts Institute of Technology (MIT), acompanhado de Seymour Papert, um dos papas do uso da tecnologia aplicada à educação, estiveram em Brasília. Querem que o governo brasileiro dê sua adesão ao projeto do laptop de US$ 100 (veja a página 40) em desenvolvimento no Medialab e que deve estar concluído em meados de 2006. O objetivo da peregrinação de Negroponte e Papert é conseguir compromisso de encomenda de governos – no alvo, além do Brasil, China e Estados Unidos – para garantir escala que permite chegar ao preço imaginado. A conversa de Negroponte e Papert entusiasmou o governo brasileiro que, por determinação do presidente Lula, criou um grupo de trabalho para estudar o assunto. É importante que a sociedade civil seja ouvida. O projeto é arrojado, mas alguns especialistas em inclusão digital têm dúvidas sobre a eficácia  das soluções engendradas nos laboratórios de países de Primeiro Mundo para os pobres do Hemisfério Sul. “Quase sempre não funcionam, porque as realidades são muito diferentes”, pondera Carlos A. Afonso, diretor de tecnologia da Rits – Rede de Informação do Terceiro Setor. A distância entre os entusiastas do laptop de US$ 100 e os que olham o projeto com desconfiança só será vencida por meio de um debate democrático, necessário na definição de qualquer política pública.

Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial

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