Telecentros - Uma razão a mais para ficar em Apiaí
A comunidade do município, localizado no Vale do Ribeira, investe na criação do seu primeiro telecentro e na formação de jovens radialistas para descobrir novas formas de desenvolver a região.
Verônica Couto
A cidade de Apiaí, em São Paulo, tem um espetacular patrimônio natural: é autoproclamada o portal da Mata Atlântica. A sua população, contudo, vive a realidade econômica da região em que está inserida – o Vale do Ribeira, uma das mais pobres do Estado –, com 27% dos domicílios com renda inferior a um salário mínimo. “O que fazer para que as crianças, a juventudade, não queiram todos ir embora?”, perguntou uma das senhoras do lugar, durante reunião do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), no final de junho. O CMDCA lidera várias frentes de mobilização que tentam responder a essa pergunta. Uma delas dedica-se à criação do primeiro telecentro público gratuito do município, a ser inaugurado em agosto. No mesmo mês, deve ir ao ar o primeiro programa da rádio local produzido por jovens de baixa renda. Ações que também têm o apoio do Instituto Camargo Corrêa (ICC), dono de uma fábrica de cimentos no lugar.
A criação do telecentro e a capacitação de jovens para rádios integram o Plano de Atenção à Criança e ao Adolescente, elaborado pelo CMDCA em reuniões com outros membros da comunidade. O telecentro, batizado de Comunidade Virtual, está sendo instalado em um prédio alugado pela prefeitura, com 200 metros quadrados, no centro de Apiaí. De acordo com Sandro Fiúza de Almeida, coordenador técnico, são 20 micros doados pela Camargo Corrêa, rodando Linux e um aplicativo para inclusão digital, desenvolvido pela equipe da Prefeitura de Piraí (RJ).

Periferia de Apiaí:
enquanto os jovens
debatem, uma
mulher corta lenha.
Metade dos micros vai ser usada para cursos de informática (Open Office, com conteúdo didático cedido pelo Metrô de São Paulo) e de tecnologias de rede. Nessa área, o Instituto Stefanini ofereceu patrocínio e possível aproveitamento profissional do pessoal. Os demais computadores ficarão à disposição para navegação livre na internet. “Podemos atender até 180 jovens por semana”, calcula Sandro. Uma ficha de cadastro será distribuída nas escolas e na única lan house da cidade, para que a política de uso priorize os mais carentes.
Aliança estratégica
Não será permitido jogar no telecentro. Uma maneira de manter a aliança de colaboração com a lan house Play Time, cujos donos também participam das atividades propostas pelo CMDCA. Atualmente, a Play Time é o único lugar para acesso público à internet em Apiaí. A navegação custa R$ 2,00 a hora (ou R$ 2,50, nos fins-de-semana) e o uso dos equipamentos de game, R$ 1,00 (a R$ 1,50). São nove micros e 12 TVs, ocupados quase todo o tempo. Segundo Solange Cristina Campos Lima, que dirige a lan house com o marido, a idade da maioria do público varia de 13 a 17 anos. Aberta em fevereiro de 2004, com 60 metros quadrados, a Play Time tem, agora, o dobro de espaço e de equipamentos.
A conexão é sem-fio, provida pela Bit Shop, loja de informática que revende o serviço de acesso de um provedor localizado no município vizinho, Capão Bonito. “É importante assegurar uma opção de acesso gratuito, porque nossos preços são altos para muita gente em Apiaí”, reconhece Solange. O telecentro também vai recorrer à Bit Shop para fazer a conexão à internet, por cerca de R$ 300,00 mensais, conforme estimativa de Sandro.
A periferia no rádio
Apiaí não tem provedor local de internet, nem conexão por cabo, com uma geografia de serra que explica a quantidade de antenas espalhadas pelas casas. A sua única rádio comercial – Rádio Apiaí – cedeu ao CDMCA 15 minutos semanais para a transmissão de programas feitos por jovens da periferia. É para ocupar esse espaço que os consultores do ICC e o CMDCA estão recrutando e capacitando voluntários nos bairros pobres de Cordeirópolis e de Pinheiros.
A experiência também está sendo desenvolvida nas cidades de Bodoquena (MS) e Nortelândia (MT). Nortelândia já teve 18 mil

Casa cheia em Cordeirópolis:
reunião de pauta para rádio. habitantes, em 1980, reduzidos, este ano, a 7,3 mil. O primeiro programa produzido pelos jovens na cidade foi ao ar em 2004, na Rádio Regional de Nortelândia, com dez participantes de idades entre 13 e 16 anos. Em Bodoquena, o trabalho conta com a parceria da ONG Aroeira, que reuniu 40 voluntários para montar uma rádio comunitária, com bolsas financiadas pelo Instituto.
Jaqueline Aparecida, de 17 anos, do grupo de Cordeirópolis, em Apiaí, defende o tema gravidez na adolescência para o primeiro programa dos jovens na rádio. “Aqui tem muita mãe novinha. De todas as minhas colegas, a única que não tem filho sou eu”, diz ela.
Assessoria sob medida
A missão do Instituto Camargo Corrêa (ICC) é apoiar crianças e adolescentes de baixa renda, investindo em ações sociais nas regiões em que o grupo construtor atua – São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná (Curitiba), Minas Gerais (Belo Horizonte), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com May Mascioli, analista de projetos do ICC, são iniciativas nas áreas de educação, saúde e cultura, organizadas em vários programas, entre eles o Todos pela Educação, que prevê o fortalecimento dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), capacitação de professores e fomento a rádios comunitárias. Este ano, o ICC está desembolsando R$ 5,8 milhões. “Nosso papel é mais de mobilização comunitária. Trabalhamos como mediadores, por meio de assessorias especializadas que são contratadas para ficarem a serviço das entidades e da comunidade”, explica May.
A missão do Instituto Camargo Corrêa (ICC) é apoiar crianças e adolescentes de baixa renda, investindo em ações sociais nas regiões em que o grupo construtor atua – São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná (Curitiba), Minas Gerais (Belo Horizonte), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com May Mascioli, analista de projetos do ICC, são iniciativas nas áreas de educação, saúde e cultura, organizadas em vários programas, entre eles o Todos pela Educação, que prevê o fortalecimento dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), capacitação de professores e fomento a rádios comunitárias. Este ano, o ICC está desembolsando R$ 5,8 milhões. “Nosso papel é mais de mobilização comunitária. Trabalhamos como mediadores, por meio de assessorias especializadas que são contratadas para ficarem a serviço das entidades e da comunidade”, explica May.
O Vale do Ribeira em ação
A ASA-Associação Serrana Ambientalista, ONG que, desde 1994, forma monitores ambientais, foi uma das entidades escolhidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), para montar um telecentro de informações e negócios no Vale do Ribeira, especificamente em Apiaí (SP). A unidade, selecionada no final de 2004, deve atender a seis municípios da região – Apiaí, Ribeira, Itapirapuã Paulista, Itaoca, Barra do Chapéu, Iporanga.
A ASA já conta com dez terminais e um servidor, entre outros equipamentos (todos com Linux), financiados pela Telefônica, que doou R$ 20 mil e teria prometido trazer à região o serviço Speedy, de conexão em banda larga (não ativado, contudo, até o início de julho). De acordo com Antônio Eduardo Sodrzeieski, primeiro secretário da ONG e popularmente conhecido como Mamute, o telecentro terá um perfil temático. “Vai servir para apoiar atividades econômicas nas áreas de cerâmica, artesanato e turismo; cursos de empreendedorismo; e para desenvolver ações ambientais”, explica. A Prefeitura de Apiaí se comprometeu a pagar os monitores e a dispor de um espaço para o telecentro, ainda não definido até o início de julho.
A ASA-Associação Serrana Ambientalista, ONG que, desde 1994, forma monitores ambientais, foi uma das entidades escolhidas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), para montar um telecentro de informações e negócios no Vale do Ribeira, especificamente em Apiaí (SP). A unidade, selecionada no final de 2004, deve atender a seis municípios da região – Apiaí, Ribeira, Itapirapuã Paulista, Itaoca, Barra do Chapéu, Iporanga.
A ASA já conta com dez terminais e um servidor, entre outros equipamentos (todos com Linux), financiados pela Telefônica, que doou R$ 20 mil e teria prometido trazer à região o serviço Speedy, de conexão em banda larga (não ativado, contudo, até o início de julho). De acordo com Antônio Eduardo Sodrzeieski, primeiro secretário da ONG e popularmente conhecido como Mamute, o telecentro terá um perfil temático. “Vai servir para apoiar atividades econômicas nas áreas de cerâmica, artesanato e turismo; cursos de empreendedorismo; e para desenvolver ações ambientais”, explica. A Prefeitura de Apiaí se comprometeu a pagar os monitores e a dispor de um espaço para o telecentro, ainda não definido até o início de julho.
ASA – Associação Serrana Ambientalista – 15 8119.4807 ou asa.ambientalista@telefonica.com.br
Secretaria da Agricultura de Apiaí – 15 3552.1256
www.camargocorrea.com.br/instituto/
Secretaria da Agricultura de Apiaí – 15 3552.1256
www.camargocorrea.com.br/instituto/








