Editorial
Comunicação sem censuraA realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em dezembro, representou um marco histórico no debate sobre a comunicação social no país, até então restrito aos profissionais envolvidos na produção de produtos de mídia e à parte da academia. Um debate quase clandestino, uma vez que os donos da mídia não só o ignoravam como procuraram, desde a promulgação da Constituição de 1988, cobrir o assunto com um manto de silêncio sob a falsa alegação de que qualquer regulação da comunicação social significava arranhar a liberdade de imprensa.
Na Confecom, todas as questões foram debatidas, das mais pertinentes, como a revisão do marco regulatório da radiodifusão, aprovada por maioria expressiva, às mais extemporâneas, como a reestatização da Embratel, que nem foi levada ao plenário. As recomendações aprovadas permitem traçar uma nova política, mais arejada e mais democrática (veja a página 22). Mas as deliberações da Confecom não são terminativas. Boa parte depende de alteração da legislação, algumas se referem à regulamentação de artigos da Constituição e outras dependem de projetos de lei. Poucas dependem única e exclusivamente de atos do Executivo.
Assim, a caminhada em direção a um novo marco na comunicação social do país apenas começou. O ritmo vai depender da pressão dos segmentos sociais. Haverá muita disputa, até porque a maior parte dos radiodifusores e donos de jornais e revistas, além dos provedores de acesso à internet, combate qualquer alteração no status quo. Tanto que se retiraram da Conferência durante a fase de organização. Mas não conseguiram levar todas as entidades empresariais. Telebrasil (da indústria de telecomunicações) e Abra (dissidência da Abert, dos radiodifusores) participaram ativamente da Conferência, estabelecendo um novo espaço de diálogo entre empresários, movimentos sociais e governo.
Robótica educacional
Há várias décadas se sabe que a robótica pode contribuir muito no processo de aprendizado, pelo que traz de inovador para o aluno. Uma série de barreiras, entre eles o preço dos kits e a falta de formação de professores, ainda impedem sua disseminação das salas de aula, mesmo nas escolas privadas. Mas há algumas boas notícias (veja a página 10), como a chegada ao mercado de fabricantes nacionais com produtos mais baratos e baseado em software livre.
Lia Ribeiro DiasDiretora Editorial








