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Editorial - Cultura em transformação

Cultura em transformação

ARede nº51,setembro 2009 - O acesso aos bens culturais é restrito no Brasil – apenas 21,9% dos municípios têm museus, somente 8,7% têm salas de cinema e a população que vai ao cinema pelo menos uma vez por mês não ultrapassa os 14% (dados do IBGE). Em uma tentativa de melhorar esses indicadores, o Mais Cultura, programa do Ministério da Cultura (MinC), de abrangência nacional quer levar a aonde o povo está. Por meio de parcerias com estados e municípios, a iniciativa ganha capilaridade e cresce a partir das demandas regionais – para além de, como vinha acontecendo, fomentar iniciativas pautadas pelas ofertas da produção cultural.

Lançado em 2007 e iniciado em 2008, com um orçamento de R$ 189 milhões, o Mais Cultura vai fechar este ano com R$ 257 milhões, que deverão ser aplicados para reduzir a exclusão cultural e colocar a cultura na agenda de governadores e prefeitos, como uma possibilidade de estimular o desenvolvimento mais amplo e não apenas na esfera econômica. Nesse sentido, a Cultura Digital, dentro do programa dos Pontos de Cultura, exerce papel fundamental, integrando redes sociais e políticas públicas.

Outra transformação significativa da forma de consumir –  e também de produzir – cultura no país resulta do debate em torno dos direitos autorais, colocados em xeque pelo desenvolvimento das novas tecnologias. Na entrevista desta edição, Pablo Ortellado, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), fala sobre a lei brasileira de direitos autorais, uma das mais restritivas do mundo, e que está prestes a ser reformada.

Ortellado é um dos defensores de regras mais flexíveis, que fortaleçam um circuito não comercial de produção, distribuição e consumo de bens culturais. A liberdade de acesso a obras e o compartilhamento de conteúdos na internet está no cerne dessa discussão. Por exemplo: ao contrário do que propaga a indústria fonográfica, Ortellado diz que não há indicadores comprovando que o download de músicas seja o responsável pela retração do setor. Ao contrário, muitos artistas já liberaram suas produções, pois acreditam que a rede tem a capacidade de potencializar seus trabalhos.


Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial
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