Opinião
Novas oportunidades no meio rural
Antonio Marcos Feliciano
O mundo está conectado, as pessoas não. A internet, o mais ágil e amplo instrumento para disseminação e captura de conhecimentos, permite acesso desde aos mais urbanizados até os mais aos remotos cidadãos. Entre os que acessam, poucos aproveitam o potencial da internet, em termos de produção e compartilhamento de conhecimento. E milhões permanecem excluídos. Certamente, deixamos de ter contato com novas e enriquecedoras experiências, simplesmente por conta da exclusão da sociedade em rede.
As ações voltadas ao oferecimento de recursos de TICs à população, sobretudo os projetos de inclusão digital, devem ser encaradas como algo mais amplo e complexo do que simplesmente tornar disponíveis ferramentas de hardware e software a usuários pouco familiarizados com esse tipo de tecnologia. Incluir pessoas comuns num mundo onde a dinâmica das informações atinge velocidades humanamente difíceis de acompanhar exige a implementação de ações pedagógicas, processos de gestão do conhecimento e acompanhamento da produção de conhecimento nesses espaços.
O analfabetismo digital a que estão submetidas atualmente as famílias do campo é um importante fator de exclusão social. A inclusão digital de cidadãos como os agricultores possibilita melhoria da qualidade de vida, na medida que proporciona acesso ao conhecimento necessário para ampliar as oportunidades, a empregabilidade, a renda das pessoas e, principalmente, a possibilidade de acesso ao conhecimento, em favor da produção. Ou seja, falamos da mudança de mentalidade, tanto sobre o acesso, quanto sobre a produção de conhecimentos fora dos muros da academia e da indústria.
Em Santa Catarina, o Programa de Inclusão Digital Beija-Flor, presente em 129 municípios, com forte atuação no meio rural, objetiva criar condições para que os ainda excluídos façam seus acessos. Mais do que tornar os telecentros acessíveis à população, o Programa Beija-Flor, desde 2008, promove processos de formação baseados em técnicas e metodologia de gestão do conhecimento, cujo objetivo máximo é o de promover o compartilhamento e a produção de conhecimento social nas unidades de inclusão digital.
Os resultados, ainda que incipientes, mostram que o conhecimento existente no meio rural catarinense, mais do que variado e estimulante, merece ser potencializado. E pode gerar uma infinidade de novas possibilidades, comercializáveis ou não, mas, permitindo novos olhares sobre o setor rural. Os projetos sociais podem contribuir significativamente com a sociedade. Contudo, carecem de parcerias, não apenas no sentido de patrocínio financeiro, mas de metodologias e visibilidade para suas produções. A academia, a indústria, o governo, enfim, diferentes setores podem ser beneficiados pela interação com os projetos sociais. Mas é a sociedade que passa a ser inserida em um novo momento, na era do conhecimento e não mais passivamente, mas como importante mola propulsora da produção desse conhecimento.

Graduado em Ciências Sociais e mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento, Antonio Marcos Feliciano é gestor do Programa de Inclusão Digital Beija-Flor, do governo do estado de Santa Catarina



