• Home
  • Quem Somos
  • Fala Leitor
  • Para Receber a Revista
  • Anuncie
  • Cadastre-se
  • Busca

ARede



  • Notícias do dia
  • Agenda
  • Revista ARede
  • Fotografite
  • É Nóis
  • RSS

Todo mundo com documento!

Bebês saem das maternidades já registrados em cartório Cora Dias


ARede nº58 maio/2010 - Aos 15 minutos de vida, Luís Felipe de Oliveira, nascido em 3 de abril de 2010, no Hospital Agamenon Magalhães, em Recife (PE), já estava registrado no cartório civil Casa Amarela. Luís Felipe não será uma das 21,4% crianças nascidas vivas em seu estado que não são registradas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – 2007). No Brasil, esse índice é de 12,2 %. A certidão de nascimento de Luís Felipe foi emitida na própria maternidade, graças a uma solução tecnológica que fez a integração entre os bancos de dados da maternidade e do cartório: o Sistema Estadual de Registro Civil (Serc), ferramenta de apoio ao projeto pernambucano Minha Certidão, em vigor desde janeiro deste ano.

Inovador e pioneiro, o Serc foi criado pela Agência de Tecnologia da Informação (ATI), do estado de Pernambuco. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos é responsável pela coordenação do projeto e pela instalação dos equipamentos nos cartórios do estado, enquanto a Secretaria  Estadual de Saúde está incumbida da informatização das maternidades. Também integram o projeto, em Pernambuco, o Tribunal de Justiça e a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

O Serc foi desenvolvido em software livre e funciona assim: os computadores instalados nas maternidade encaminham os dados do declarante e a declaração de nascido vivo, que são escaneados, para o cartório. O cartório recebe o material, confere e gera a certidão de nascimento, assinada digitalmente. Aí a certidão é reenviada para a maternidade. Com esse sistema, não existe mais a possibilidade de um bebê deixar a maternidade sem registro no cartório civil pois o processo é automático, e não depende mais da ida dos pais ou responsáveis pessoalmente ao cartório.

Segundo o secretário executivo de Justiça e Direitos Humanos, Rodrigo Pellegrino, há mais de oito anos o governo está tentando implantar esse programa em Pernambuco: “Apesar de muita dificuldade, conseguimos unir atores importantes e fundamentais nessa construção, como a Corregedoria do Tribunal de Justiça, a Secretaria de Saúde, a Arpen, a ATI, entre outras instituições e órgãos”. Hoje, o cartório Casa Amarela atende a duas maternidades da capital pernambucana: o Hospital Agamenon Magalhães, da rede estadual, e a maternidade Barros Lima, da rede municipal. Desde a implantação do sistema, 2.219 pessoas já foram registradas. “A expectativa é de que, até julho, 298 cartórios e 220 unidades do SUS de Recife já operem com o Serc. Atualmente, onze maternidades da capital estão em treinamento para receber o sistema”, afirma Romero Guimarães, diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação da ATI. Recife é responsável por 45% dos registros civis do estado de Pernambuco.

O sistema deverá ser adotado também em outros estados. Mato Grosso – onde cerca de 12,7% da população está sem registro – já implantou o Serc, dentro do programa Criança Cidadã. Dia 30de março, foi emitida a primeira certidão, no Hospital e Maternidade Santa Helena, em Cuiabá. Até o final do ano, outras 35 maternidades do estado deverão receber o projeto, que atenderá 31 municípios. Só em Cuiabá serão quatro hospitais, todos conveniados ao SUS; em Várzea Grande, serão dois. O critério para seleção das maternidades foi seguido de acordo com um relatório do Ministério da Saúde e foi dada prioridade àqueles que registram uma média de 300 partos por ano.

Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Tocantins também estão interessados. Esses movimentos reforçam a estratégia do governo federal, que deflagrou uma campanha nacional para erradicar as altas taxas de subnotificação de registros civis. E está implantando um modelo unificado de certidão de nascimento. Esse novo documento traz, além dos dados tradicionais, o número da Declaração de Nascido Vivo (DNV), que deverá ser emitida em todos os hospitais. A unificação vai aumentar a segurança das informações – a situação atual, em que cada cartório usa um tipo de registro, facilita falsificações.

No entanto, a grande mudança é a inclusão do número da DNV na certidão de nascimento. A partir desse número, pela primeira vez, será possível mapear os casos de subnotificação. “E o mais importante é ir atrás dessas crianças que não foram registradas”, explica Pedro Pontual, assessor da Secretaria Especial de Direitos Humanos. O governo federal, a partir da adesão de todas as unidades da federação, pretende criar o Sistema Integrado de Registro Civil (Sirc), que possibilitará que os dados de todas as pessoas registradas no país estejam armazenados em um único banco de dados.
(Colaborou Anamárcia Vainsencher)

Addthis

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Enviar
Cancelar
JComments

Esta edição tem o apoio cultural