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Editorial

A importância da formação

ARede nº54 dezembro/2009 - Há muito se sabe que a alma de um telecentro é o monitor. É ele quem ensina aos usuários as noções básicas de informática, a navegação na internet, a usar diferentes serviços existentes na rede. Mas à medida em que a tecnologia evoluiu e que as pessoas adquiriram mais habilidades para lidar com o computador, como a trazida pelo uso do celular, mais se exige do monitor. Os usuários que já dominam os conhecimentos mais corriqueiros querem, agora, aprender a editar áudio e vídeo para que possam produzir conteúdo multimídia, por exemplo. A atualização frequente dos cursos de formação de monitores é um dos desafios que se colocam para as redes de telecentros, em função dos custos, e para os profissionais envolvidos com essa atividade, como mostra a reportagem de capa desta edição.

As maiores redes de telecentros do país já venceram a etapa de capacitar seus monitores apenas com a formação básica. Muitas delas investem, agora, em cursos mais avançados, que envolvem um conhecimento muito mais amplo. No entanto, os especialistas observam que as questões tecnológicas não são as mais complexas em um processo de capacitação. A questão central é dar instrumentos para que os monitores sejam, de fato, agentes da inclusão. Ou seja, devem ser capacitados para orientar os usuários a usar o telecentro de diferentes maneiras, a se comunicarem através da internet, a participarem de comunidades, a construírem seus próprios espaços na rede, a compartilharem conhecimento, a usarem serviços de governo eletrônico e muito mais. O monitor tem que aprender a fazer perguntas, a identificar problemas, a propor soluções, a formar redes. Tem que aprender a ser um agente crítico, que provoque os usuários a também buscarem respostas na rede, a se expressarem, a compartilharem.

Não é fácil, nem barato, formar um monitor com esse perfil. Além da formação ter que ser contínua, há uma rotatividade muito grande de monitores – pois monitor não é uma profissão, mas um estágio de passagem na vida dos milhares de jovens que militam nos telecentros. Por isso, muitas redes menores enfrentam problemas para manter bons cursos de capacitação. Para aquelas que não têm metodologia própria, a boa notícia é que a Rede de Formação para Inclusão Digital, uma das ações do pacote de apoio aos telecentros, o Telecentros.BR, em elaboração pelo governo federal, vai articular metodologias e conteúdos existentes no país para construir um programa comum de formação, que será aberto a todos os interessados.

Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial

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