Editorial
Eleições livres na redeOs eleitores que são também internautas têm motivos para comemorar. As regras fixadas para a campanha eleitoral de 2010, que, durante os debates no Congresso, ameaçavam cercear a comunicação na internet, agora garantem a sua liberdade. As poucas restrições, como o direito de resposta, são um elemento básico da democracia. O único artigo verdadeiramente restritivo, que transpunha para a internet as regras de debate estabelecidas para a TV – dois terços dos candidatos deveriam estar presentes – foi sabiamente vetado pelo presidente Lula.
Sem dúvida nenhuma, trata-se de um avanço num momento em que há iniciativas nos quatro cantos do mundo para cercear a internet, seja por motivos econômicos, seja por motivos políticos. O Brasil não está a salvo dessa onda – o exemplo mais contundente é o chamado Projeto Azeredo, em banho-maria na Câmara dos Deputados, que tipifica crimes na internet, restringindo a liberdade de comunicação e o direito ao anonimato.
Se é verdade que o número de internautas vem crescendo significativamente, também é verdade que o acesso à rede reproduz as desigualdades de distribuição de renda do país. O acesso é muito maior na região Sudeste e tem seu pior desempenho no Norte e Nordeste. Mesmo assim, a internet deverá ser um elemento expressivo nas eleições de 2010.
Nem de longe terá o peso da TV, presente em 94,5% dos domicílios brasileiros. Mas, alertam os especialistas, não se pode comparar a internet com as mídias tradicionais, pois ela é interativa, permite a participação do eleitor, possibilita checar e contestar informações e tem outra dinâmica, disseminando rapidamente informações, como um rastilho de pólvora, e formando opinião. Trata-se de um outro tipo de comunicação, que democratiza a disputa, já que não é limitada pelo dinheiro como a TV. Com boas ideias, pouco dinheiro e militância organizada, um candidato pode construir uma campanha de sucesso, como mostra a reportagem de capa desta edição.
Prêmio ARede
No dia 16 de novembro, às 19h30, será realizada a entrega da terceira edição do Prêmio ARede, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, São Paulo). No mesmo evento, será lançada a primeira edição do Anuário ARede de Inclusão Digital, que apresentará os projetos de inclusão digital do setor público: federais, estaduais e das capitais. Todos os leitores d’ARede estão convidados.
Lia Ribeiro Dias
Diretora Editorial





