/ Especial /
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20/05 - Interessados em participar podem se registrar pela internet, a partir desta segunda-feira.
17/05 - Começa dia 23, em Porto Alegre, o Conexões Globais. Confira a programação das oficinas, gratuitas.
/ NOTÍCIAS DO DIA /
20/05 - Unidades apresentavam documentação incompleta ou falhas na prestação de contas.
20/05 - Evento teve codelabs, hackathon e palestras voltadas a desenvolvedores do ambiente Android.
17/05 - Ideia é melhorar a remuneração e estimular um ecossistema local de conteúdos digitais criativos.
17/05 - Operadoras têm 30 dias para apresentar plano de ação e um ano para botar tecnologia em funcionamento.
17/05 - Britânico Tim Berners-Lee participou da WWW 2013 e debateu o projeto de lei com o relator Alessandro Molon.
/ Agenda /
Evento acontece entre 25 e 28 de julho. Inscrições abertas também para o 3º Fórum, até 22 de maio.
Palestra acontece em 18 de maio, no MIS, em São Paulo. Participação livre.
Programa do Governo Federal recebe inscrições até 31 de maio. Recursos alcançam R$ 14 milhões.
Evento acontece entre 3 e 5 de setembro, com debates sobre liberdade de expressão e marcos legais.
Participação é gratuita. Encontros acontecem em 18 e 19 de maio.
/ para ler e baixar /
Lixo eletrônico
Leia a cartilha do Instituto Claro sobre descarte adequado de lixo eletrônico.
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edição 90 - abril 2013 |
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// entrevista |
Rádio Comunitária - Uma usina comunitária em São Gonçalo
A Comunidade Novo Ar, na região metropolitana do Rio de Janeiro, pretende colocar o poder de comunicação – rádio e telecentros -- a serviço da mobilização comunitária e da geração de renda.
Verônica Couto
Rádio, telecentro, oficinas, cooperativa de artesanato, cursos, pré-vestibular comunitário, serviços de saúde, biblioteca. Tudo isso acontece na Comunidade Novo Ar (Comnar), localizada num conjunto de salas cedido pela Igreja São Pedro de Alcântara, no bairro de Alcântara, centro nervoso da cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O município tem a terceira maior população do estado do Rio, ou 948,2 mil habitantes, de acordo com dados de 2004 do IBGE; e está a apenas 20 quilômetros do Rio de Janeiro, no lado oriental da Baía de Guanabara. O produto interno bruto per capita, ou seja, aquilo que é gerado pela economia do lugar por pessoa, contudo, dista léguas de uma cidade para outra: R$ 10.537,00 na capital, em comparação a R$ 5.014,00 na vizinha, a valores de 2002.
Outras características gonçalenses são a população formada por muitos
imigrantes nordestinos, a presença de diversas fábricas de tecidos,
principalmente jeans, e os índices elevados de violência contra a
mulher – embora, em 2000, elas chefiassem 29,1% dos domicílios. São as
mulheres que lideram a Novo Ar. “Antes, eu era dona-de-casa, hoje não
arrumo nem minha cama, porque não dá mais tempo”, conta Márcia
Rodrigues, de 48 anos. Ela é radialista há cinco anos e coordenadora do
pré-vestibular comunitário (oferecido a R$ 15,00 por mês). Pilota um
dos programas de maior audiência da rádio Novo Ar , o “Mulher em Ação”,
ponta-de-lança na conquista da representatividade do projeto junto à
audiência local.Atualmente, a Comnar tem cerca de 1,2 mil associados, que pagam 1% de um salário mínimo por mês, em troca da participação em cursos e em outras atividades de interesse da comunidade. Esses parceiros também podem divulgar seus produtos e serviços na rádio Novo Ar, a principal força articuladora do movimento, na avaliação de Graça Rocha, coordenadora da entidade, que está se tornando um Centro de Referência da Mulher, com apoio do Fundo Ângela Borba.
A Comnar tem dois espaços equipados com computadores e conexão à internet. A biblioteca (com 4 mil livros), para acesso gratuito por alunos da rede pública; e uma Estação Digital, com 14 computadores (13 deles doados, em novembro de 2003, pela Fundação Banco do Brasil, que também pagou dois monitores – R$ 300,00 cada – e um coordenador – R$ 450,00 -, durante seis meses), onde a navegação custa R$ 1,00 a hora. O custo geral da entidade é da ordem de R$ 80 mil por ano.“Esse total dá, sem folga, para os gastos ordinários. Se houver um equipamento quebrado, já dá prejuízo; mas estamos perto da sustentabilidade”, calcula Graça.

Márcia (ao centro) apresenta o
"Mulher em Ação". A Estação Digital abre das 8h às 20h. Nas terças, quintas e sextas-feiras, fica dedicada ao acesso à internet, por R$ 1,00 a hora. Nas segundas, quartas e sábados, é usada para cursos de informática, com sistemas da Microsoft. Três micros, no entanto, já trabalham com Open Office, e é neles que os monitores procuram se familiarizar com a plataforma aberta. Mas essa migração não está fácil. Segundo Graça, não há pessoal disponível para cursos nem suporte. Embora os monitores tenham feito a capacitação da ONG Cemina, com a equipe do sampa.org, e também em Brasília, por meio da Fundação Banco do Brasil, ela gostaria de um apoio de longo prazo na operação dos sistemas.
Em 2004, a Comnar recebeu a antena do Gesac, que conectou primeiro a Estação e, agora, serve à navegação gratuita na biblioteca, onde estão mais cinco computadores. E a Estação passou a usar o Velox (cerca de R$ 200,00 mensais), da Telemar. É freqüentada por donas de casa, estudantes, idosos. E oferece, ainda, oficinas de manutenção de hardware e de serviços de eletricidade.
Desde o final do ano passado, com R$ 5 mil do Fundo Ângela Borba, a Novo Ar promove feiras semanais para apresentar os trabalhos de 80 artesãs da comunidade, com mais de 300 itens cadastrados. As feiras também acontecem uma vez por mês nos campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O próximo passo prevê a criação de um site para vender os produtos online e para interagir com as confecções da região, ampliando a coleta de refugos de pedaços de malha e tecidos recicláveis.“Com as chamadas pela rádio, já recebemos doações de tecidos, folhas de bananeira e outros materiais aproveitados nos artesanatos”, explica Graça.
Fuxico, ponto atrás, vagonite.

Curso de Informática
na Estação Digital. Uma especialista em bolsas feitas de restos de calças jeans é Vânia Filomena da Silva Durão, 65 anos. Ela trabalha com artesanato desde os 16 anos, quando vivia no Recife (PE). “Há 30 anos, separei do pai do meu filho e vim embora. Fui balconista de confecção, na rua do Ouvidor (no centro do Rio), trabalhei em casa de família, tudo muito difícil”, conta. Há três anos, ela se mudou para São Gonçalo, conheceu a Novo Ar e retomou o ofício que lhe dá prazer. “Faço bolsa de jeans, centro de mesa, jogo de prato, cortina de banheiro. Faço ponto de bordado, vagonite, crochê, ponto atrás, ponto de corrente, fuxico, tudo”, garante. Dona Vânia casou de novo. O marido ganha cerca de R$ 500,00 por mês, como pintor de parede. Ela, com os artesanatos, tira mais R$ 300,00.
Em 20 de maio, a rádio Novo Ar foi lacrada pela Anatel. E reaberta no mesmo dia pela comunidade. Em setembro, um dos transmissores queimou. Por isso, a entidade está recolhendo fundos para substituí-lo: dos R$ 1,9 mil necessários, R$ 500,00 já foram arrecadados. Enquanto não atingem a meta, a rádio vai ao ar graças ao equipamento emprestado por outra emissora. A rádio tem utilidade pública no município, moção da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal, prêmio do Unicef e do Banco Mundial. E o pedido de outorga está desde 1998 no Ministério das Comunicações.










